Entrevista

Entrevista originalmente publicada na revista Guitar Player, edição de maio/2009

Por Jorge Medeiros

Fragile Equality é o nome do segundo disco da banda Almah, que tem o vocalista Edu Falaschi (Angra) como líder. As dez faixas do álbum trazem um fantástico trabalho instrumental, cortesia de Marcelo Barbosa (guitarra), Paulo Schroeber (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Marcelo Moreira (bateria), além da voz poderosa de Falaschi. Arranjos surpreendentes, peso e solos arrasadores marcam o CD. Confira a entrevista com Marcelo Barbosa e Paulo Schroeber.

Guitar Player - As guitarras estão em ótima sintonia em Fragile Equality, como nos duetos da música "You’ll Understand". Foi difícil adquirir entrosamento?

Marcelo
: Não tivemos problema quanto a isso. O Paulo entrou na banda aos 45 do segundo tempo e chegou cheio de idéias e arranjos para as músicas. Compôs algumas coisas com o Edu, e isso só veio a acrescentar. Nós nos conhecemos um mês antes da gravação e nos demos muito bem. Não conhecia o trabalho do Paulo antes de ingressar na banda, mas ele se tornou um grande amigo e o entrosamento musical veio através do respeito mútuo e da admiração. Ele é um grande guitarrista.

Paulo: Foi supernatural e tranquilo. O entrosamento foi imediato. Um completa o outro, já que temos estilos um pouco diferentes.

Guitar Player - Como foi a sua entrada no Almah?

Marcelo
: Entrei durante a turnê do primeiro álbum. A banda que estava excursionando era composta pelos membros do Angra, exceto os guitarristas, e o Edu Ardanuy. Depois de alguns shows, o Edu saiu e me indicou para a vaga. O Falaschi me ligou e, depois de fecharmos tudo, ele disse: “O próximo show é daqui a dez dias. Você tem de tirar até semana que vem esse repertório de 20 músicas, que inclui Angra, Almah e covers. Faremos pelo menos dois ensaios” (risos). Foi um período que não lembro de ter feito outra coisa além de estudar guitarra.

Paulo: Antes de entrar na banda, fiz um teste com o Edu Falaschi, inserindo idéias nas músicas "Magic Flame" e "Meaningless World". Encontrei o Marcelo algum tempo depois, em Brasília, no ensaio que fizemos para gravar o disco.

Guitar Player - Riffs bem pesados são uma constante no álbum. Essa foi a proposta inicial ou foi algo que surgiu naturalmente?

Marcelo
: As duas coisas. Já tínhamos a premissa de que o álbum deveria soar mais pesado do que os discos de Metal Melódico que temos como referência. Isso nos guiou durante a composição e produção do trabalho. Além disso, a afinação do CD é quase sempre em Eb com a sexta corda em Db. Isso proporciona mais peso às músicas. E o Paulo usa guitarra de sete cordas em algumas faixas.

Paulo: Durante a pré-produção, deixamos as coisas um pouco mais diretas propositalmente, para que o disco ficasse com uma sonoridade mais pesada. Estou pensando em utilizar no próximo disco minha guitarra de oito cordas que ainda está sendo fabricada. Para um trabalho futuro, o Marcelo e eu estamos planejando diminuir a quantidade de teclados e deixar a guitarra mais na cara.

Guitar Player - Quais guitarras vocês utilizaram?

Marcelo
: Usei basicamente meu modelo signature Tagima MB-1. Em algumas bases, toquei uma Carvin que havia no estúdio, com ponte fixa e encordoamento pesado, acho que 0.13.

Paulo: Utilizei uma Ibanez Universe, uma Carvin de sete cordas, uma ESP, também de sete cordas, e uma Tagima do Marcelo.

Guitar Player - As guitarras ficaram totalmente a cargo de vocês?

Marcelo
: Temos liberdade para opinar no trabalho de todos. Sabemos que cada parte individual influi no resultado final. O Edu apresentou algumas coisas e opinou sobre outras que eu e o Paulo desenvolvemos. Ele trabalhou como produtor do álbum, além de ser o fundador do projeto. Tudo acabava passando pelo crivo dele, o que é natural.

Paulo: Ficamos livres na hora de compor, principalmente os solos. Eu queria sair um pouco do óbvio do estilo e fiquei muito feliz com o resultado final. O Edu aparecia com a melodia pronta e algumas bases. Depois o Marcelo e eu fazíamos os ajustes necessários. Mas escrevemos também algumas músicas do zero, como "Birds Of Prey".

Guitar Player - Que efeitos vocês usaram?

Marcelo
: Utilizamos meu pré-amp valvulado Marshall JMP-1 ligado a um Power Mesa/Boogle Strategy 500 empurrando uma caixa Marshall 4x12. Em alguns momentos, usamos um cabeçote Peavey 5150. De acordo com o que a música pedia, empregávamos diferentes pedais, como boosters, em solos e algumas melodias, e algum outro efeito. Lembro-me de ter usado o Shred Pro e o Dual Chorus, da NIG, o Fulltone Fulldrive e o MXR Van Halen Phase 90.

Guitar Player - Com dois guitarristas de extrema qualidade em uma banda, como se dá o processo de criação e divisão de solos e bases?

Marcelo
: Procuramos dividir os solos e as passagens de maneira equilibrada. Não há um guitarrista principal no Almah. Ambos dividimos os solos e as bases. Para mim, é uma experiência nova tocar ao lado de outro guitarrista e tenho aproveitado para aprender, não apenas sobre guitarra.

Paulo: Dividimos tudo e nunca houve briga de egos entre mim e o Marcelo. Se algum de nós pede para tocar uma determinada parte ou solo, aceitamos sem maiores problemas.

Guitar Player - Fale sobre seus outros projetos.

Marcelo
: Toco em duas outras bandas. O Khallice, de Prog Metal, deve lançar mais um disco em breve. Com o Zero10, toco todas as semanas em casas noturnas de Brasília. Interpretamos o melhor do Pop, Rock e Metal. Adoro tocar ao vivo. Além disso, sou fundador e proprietário do GTR Instituto de Guitarra, em Brasília. Tenho também trabalhado em minhas composições instrumentais. Pretendo gravar meu primeiro CD solo ainda em 2009.

Paulo: Vou registrar um disco instrumental. As gravações começaram em abril. Tenho ainda outra banda, Hammer 67, que toca Rock/Metal industrial. O álbum sairá em novembro.


 
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