Entrevista

Entrevista veiculada originalmente pelo site Dot Gospel

Por Renato Cavallera

Recentemente Larry Norman, o pai do Rock Cristão morreu deixando saudades e um legado. No Brasil, o nosso pioneiro foi e é Joey Summer, um dos primeiros a tocar guitarras distorcidas com letras que falavam de Deus.

Filho de uma cantora lírica e musicista, Joey começou a tocar violão aos 11 anos, hoje, ele é patrocinado pela Michael e guitarrista da banda de Pop/Rock Cristão Novo Som, sendo compositor de algumas músicas da mesma como por exemplo "Um Dia a Mais" que se tornou a música título de um CD da banda. Ele se prepara para lançar seu primeiro álbum solo, entitulado Nascer, que retoma o Rock, o Metal e o Hard Rock antigo que tanto embalaram o Brasil e o mundo nos anos 80-.

Em seu álbum solo, Joey traz algumas surpresas, como por exemplo a gravação da música "Rough Ride To Paradise" do guitarrista da multi-platinada banda Europe. O álbum quebra paradigmas no mercado evangélico brasileiro, pois custará apenas R$5,00, produzido com tecnologia SMD, a mesma usada por Lucas Souza em seu último álbum.

Joey nos concedeu está entrevista no dia 04 deste mês. Confira a entrevista completa concedida com exclusividade à Renato Cavallera do Dot Gospel.

Dot Gospel - Porque você quis lançar um álbum solo?

Joey Summer
: Na verdade eu acredito que pela mesma razão que a maioria dos músicos acabam fazendo. Expressar cem por cento o que se gosta de tocar e compor. Eu sempre fui um músico flertando com o Rock N- Roll desde que começei minha carreira no final dos anos 80. Bandas como: Kansas, Queen, Deep Purple, Giant, Journey, Toto, Stryper, Petra, Winger, etc, sempre me influenciaram claramente na hora de compor, tocar e até mesmo cantar. Durante muitos anos eu sempre fiz parte das bandas que toquei, algumas delas até da formação original eu participei, mas eu nunca tinha feito um projeto totalmente solo, por minha própria conta e risco. Quando eu comecei este projeto, minha ex-banda (a última antes da minha entrada pro Novo Som), o Arena, tinha acabado de encerrar as atividades e parte do material que eu tinha composto para o segundo álbum da banda (que não chegou a ser gravado) seria então o meu primeiro CD solo. Pois bem... quando eu entrei em estúdio, logo no início das gravações fui convidado pra substituir o guitarrista do Novo Som da época, o Dudu Ramos, e acabei arquivando o projeto até 2006 quando o retomei voltando ao estúdio e compondo o restante do material. Músicas como: "Águas", "Nascer" e "Aonde Deus Está", todas gravadas no meu CD, com excepção de "Águas", gravada pelo Novo Som no álbum Vale A Pena Sonhar, foram escritas naquela época.

Dot Gospel - Quais as principais influências do álbum Nascer?

Joey Summer:
Então... Em um somatório de tudo que já influênciou na minha vida musical, eu diria que este álbum é um trabalho de Rock N- Roll com um traço forte do Rock dos anos oitenta. Mas eu não o considero um álbum retrô, porque também tem algumas influências de algumas bandas que tenho ouvido nos últimos tempos e são mais "modernas" como: Three Days Grace, Chevelle, Nickelback, Third Grace, etc... ainda que sejam apenas "traços" destas influências mais recentes, acredito que são mais do que o bastante pra tirar a "nostalgia" dos anos 80 e deixar apenas as boas influências no lugar. Uma curiosidade: A faixa "Nascer" foi composta junta com outra faixa que acabei produzindo para o projeto de um cantor da cidade de Boston nos EUA, dono de uma produtora de eventos que levou o Novo Som na América do Norte em 2003. A faixa era pra ser do meu CD solo e se chamava "Roads Of Gold" e chamei pra gravar esta faixa o Geraldo Abdo, Mito e o baixista que toca comigo no Novo Som, Charles Martins. "Nascer" veio desta época e por pouco não escapa de ser uma faixa em um CD de outra pessoa, se eu não tivesse escrito "Roads Of Gold" para o projeto do cantor ao invés de "Nascer", o que me faz achar que esta faixa é ainda mais especial dentro do projeto do que pudesse imaginar na época e, por ser a primeira a ser composta e expressar bem a proposta deste meu projeto, tornou-se também o título do meu primeiro disco solo.

Dot Gospel - Porque gravar Hard Rock?

Joey Summer
: Pois é...esta questão do "rótulo" é bem discutível. Nos anos 80 servia pra classificar e dividir bandas de Rock que tocavam de forma diferente a mesma música (risos) e precisavam de públicos diferenciados. Mas no fundo tudo era Rock partindo do Blues! Eu nem sei o que dizer quando me falam que o meu CD é Hard Rock. Eu o considero até leve para ser um CD de Hard Rock (vide Winger, Danm Yankees, etc...) e pesado demais para ser um CD Pop. Sendo assim, eu gosto de pensar nele como um álbum de Rock com influências de Metal (ainda que eu acabe o rotulando assim mesmo) ainda que variado dentro desta proposta. Veja por exemplo o Bon Jovi, que apesar de ter riffs de guitarra pesada com claras tendências de Hard, consegue soar Pop se comparado a outras bandas de som pesado, mas ainda assim é pesado se compararmos ao Tears For Fears que também usa de clara "pegada" rockeira e são infinitamente mais Pops e voltados ao Soul e ao Blues.

Dot Gospel - Como você conseguiu poder gravar a música "Rough Ride To Paradise" do guitarrista da multi-platinada banda Europe?

Joey Summer
: Eu sou amigo (virtualmente falando) de Roger Ostman, editor de Kee (ex-guitarrista da banda Europe) pela Gem Publishing da Suécia. Somos amigos há pelo menos uns 2 anos e eu não sabia que ele era editor das músicas de Kee. Um dia por curiosidade eu perguntei a ele se o álbum Shine On do Kee Marcello ainda estava em catálogo e ele me respondeu que não e me enviou todas as faixas em mp3. Eu achei o CD fantástico e muito gostoso de ouvir. Roger, logo em seguida, me perguntou se eu gostaria de gravar algo deste álbum. Eu prontamente optei por "Rough Ride To Paradise", uma das que mais gostei no trabalho dele e foi desta forma. Algumas coisas acontecem simplesmente sem que ao menos tivéssemos imaginado que aconteceriam. Eu não alterei quase nada da forma original da canção. Apenas adicionei mais vocais (backings) em trechos que não os tinham e incluí um solo de sax no arranjo do final da música, gravado pelo meu amigo Marcos Bonfim (o grande Bonfá) que o executou de forma brilhante como sempre.

Dot Gospel - Hoje, com a volta de famosas bandas dos anos 70- e 80- você vê a chance de uma revitalização do Hard Rock?

Joey Summer
: Olha, não só do Hard Rock, mas da música (boa música) como um todo. Não se pode negar que ainda existam muitas bandas e artistas bons e criativos nos anos 2000 fazendo coisa boa de verdade, porém, triste é ver a esmagadora gama de coisas realmente ruins e sem "histórico" entupindo as rádios graças aos poderosos "jabás" de gravadoras, que só priorizam o dinheiro. Sempre foi assim em todos os tempos, mas acredito que de uns anos para cá piorou bastante. Agora, eu aposto muito na questão da "indústria virtual" que vêm obrigando aos músicos a compor melhor e ter mais "acuidade" com seus trabalhos, afinal se a música for ruim, o usuário (consumidor) irá optar por não baixá-la, e sim, a do outro artista que ele se identifica mais. Estas questões ainda estão em discussão, mas temos de ver o lado bom das coisas e tentar nos adaptar a ele. As facilidades de se gravar que temos hoje são uma faca de dois gumes, tanto se pode produzir boas coisas com custos muito mais baixos e retornos mais certos, como se pode também por na rua coisas de baixa qualidade de uma forma geral e alcançar a mídia virtual de maneira quase que sem custos. Temos realmente que "filtrar" o que ouvimos. Mas eu espero que o Hard Rock, o Pop Rock, a Dance Music e outros estilos que foram tão bem representados nos anos 80 por artistas variados e de altíssima qualidade, retornem com o fôlego da nova geração pra mudar esta "pobreza" musical que a mídia nos empurra garganta a baixo todos os dias.

Dot Gospel - O álbum Nascer custará apenas R$5,00 por ser feito com SMD. Esta iniciativa começou no Brasil pelos Cristãos. Você crê que este pode ser o começo de uma inciativa para baratear todos os álbuns lançados no Brasil?

Joey Summer
: Sim. Eu estou pondo fé no SMD como uma maneira de tentar "frear" o processo cancerígeno da pirataria. É triste ver algo que você lutou tanto para produzir chegar às ruas de todo o país exposto de maneira desqualificada e dando lucros apenas a quem nada fêz no processo de produção. Ainda não acho que seja um método satisfatório para o artista que banca sua própria produção executiva, afinal, por apenas 5 reais você dificilmente consegue retomar todo o seu investimento dispensado no projeto. Mas eu olho da seguinte forma: o SMD é o seu "portifólio" para que outros produtores, público em geral, gravadoras, etc... venham tomar conhecimento do seu trabalho musical e, com isto, você consiga sobreviver dos shows, que é o que realmente sustenta o músico nos dias de hoje. Já faz muitos anos que a indústria fonográfica não põe comida no prato da família de um músico, mesmo os que estão encabeçando a mídia. Devido a muitas variantes, entre elas a própria pirataria, o artista/banda tem de fazer muitos shows para continuar tendo preservada sua qualidade de vida e sustendo.

Dot Gospel - Há muita diferença para você tocar o som do seu trabalho solo e o som do Novo Som?

Joey Summer
: Sim, com certeza. Quando eu fui convidado para assumir as guitarras da banda, eu sabia que muito mais do que tocar o repertório da banda eu teria que me adaptar a toda uma "estrutura musical" completamente diferente da que eu estava acostumado em outros projetos. Apesar de ter me adaptado facilmente à parte mais "rockeira" do repertório (obviamente), eu tive que reaprender toda uma linguagem musical que nunca foi o meu forte e nem nunca me "seduziu" musicalmente a tocar, como o Charme, o Melody, Funk, etc. Alguns destes estilos, considero muito legais de se ouvir, mas para um guitarrista são muito chatos de tocar (risos). Muitas coisas eu já ouvia antes como Earth, Wind And Fire, Kool And The Gang, etc... e me serviram como referencial, mas nunca fui fã de todo o repertório destas bandas, me limitando a tocar (em bandas de clubes em que já toquei) o repertório mais "comercial" destes grupos e que confesso, até curti muito na minha adolescência. Sempre fui muito admirador e fã do Novo Som, antes mesmo de conhecê-los pessoalmente, mas confesso que nem de todo o repertório da banda eu gostava. Sempre me identifiquei com as baladas na onda do Chicago, Journey, Toto, etc... E foi o que realmente me atraiu quando fui convidado por Geraldo Abdo e Mito para acompanhá-los nos shows. Já no meu projeto solo, cem por cento do que eu estarei tocando, é sem dúvida o que eu gostaria de passar o resto da minha vida tocando (risos). E, fora a liberdade de se estar no meu próprio projeto, é poder tomar as decisões que melhor me convir tomar. Parte da banda que vai estar nos palcos junto comigo, é parte da minha história musical também e isto conta demais. O baixista Markcell, por exemplo, tocou comigo em quase toda a minha caminhada musical e o tecladista Daniel Lamas há mais de dez anos é meu parceiro musical nas composições e produções desde que começamos o Arena em 1997. O estilo é Rock N- Roll total e é o que eu sempre toquei e fiz durante minha trajetória, ou seja, sim eu estou em casa na JSB.

Dot Gospel - Além de tocar guitarra você é fotógrafo, a fotografia é mais que um hobby para você?

Joey Summer:
Durante uma época da minha vida eu até pensei em seguir como fotógrafo profissional, fazer cursos e tal, tive até um pequeno laboratório de revelação em PB dentro da minha casa. Mas com o tempo acabei sendo mais e mais absorvido pelo meu ideal musical e a fotografia tornou-se um hobby sim. Hoje eu nem tiro tantas fotografias assim e com a facilidade da manipulação digital, posso hoje partir pra outros lados usando inclusive o bom e velho Photoshop. Mas quase tudo que já fiz acabou me sendo útil na minha vida profissional. Tudo foi e é valido. Detesto pensar que na vida só possamos ser ou fazer uma única e determinada coisa. Podemos sempre ser e ousar mais!

Dot Gospel - Quais são os outros projetos em que você está envolvido?

Joey Summer
: Bom, ultimamente tenho me dedicado a compor material para outros cantores. Recentemente fiz uma música para o novo CD da Pamela que ela deverá estar gravando em breve. Também compus algum material para o próximo CD do Novo Som, que deverá ser lançado ainda no primeiro semestre de 2008 pela MK Publicitá. O material ainda não foi definido pela banda que terá uma audição para a escolha do repertório em breve. Estou praticamente dividindo meus últimos dias nestes projetos e nos preparativos de finalização do meu CD. Acho que nunca me dediquei tanto a um projeto e tenho realmente acreditado que Deus tem bênçãos muito especiais a proporcionar as pessoas através deste CD solo, algo que nem mesmo eu ainda entendo perfeitamente, mas está mais do que traçado por Deus.

Dot Gospel - Você gostaria de deixar um recado para os leitores dessa entrevista?

Joey Summer
: Gostaria de dizer que Deus sempre nos mostra aquilo que não queremos ver. A vontade Dele sempre é a melhor, mas nem sempre a nossa vontade é a Dele. Por isto temos de nos moldar a vontade do Pai, aceitando o que nos vem, seja por provação ou puramente por conseqüência da vida que enfrentamos. Estejam sempre ligados na fonte da vida que é Jesus Cristo e não tenham medo de serem diferentes aos olhos do mundo, porque viemos mesmo para "desagradar" a maioria, pois o céu nunca foi para todos, mas sim para os que realmente se colocam na direção retilínea da vontade de Deus. Eu agradeço muito o carinho e receptividade do Dot Gospel e por abrir este espaço virtual para falar deste projeto que vêm sendo tão especial na minha vida. Agradeço também todo o carinho que tenho recebido dos fãs ao longo desses sete anos que estou no Novo Som. Fico muito lisonjeado por receber esta atenção e carinho e tento retribuir na medida que me é possível, inclusive através do meu Blog Oficial localizado no meu site oficial, onde eu estou sempre atualizando com novidades e respondendo aos comentários dos fãs e amigos. Obrigado e bênçãos para todos os internautas ligados no Dot Gospel!


 
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